13.06.2017 / Manicure / Por Thieny Molthini

Homens dominam mercado profissional de unhas

Na semana das manicures, nada melhor do que enaltecer os homens que escolheram essa linda carreira. Conheça alguns dos manicuros que fazem grande sucesso nos salões de beleza!

Não importa a profissão que você escolher, para se dar bem na área é preciso ter vontade e claro, vocação. VIVABELEZA entrevistou profissionais que vivem para elevar a autoestima de diferentes pessoas, embelezando com competência e carinho suas mãos (e pés também!). Além de realizar os desejos das mulheres, eles colocam em prática uma paixão muito maior do que o preconceito. Chamados de manicuros, viram na profissão uma forma de expressar sua arte e hoje ganham cada vez mais espaço no mercado de trabalho. Conheça a história de homens que se descobriram na profissão. Inspire-se!


Dedicação
Nilton César da Silva nasceu em Aiuruoca, Minas Gerais, desde pequeno sabia que trabalharia no ramo da beleza. Aos 10 anos de idade, por exemplo, já cortava, lixava e pintava as unhas de sua mãe. Com o tempo, passou a fazer as unhas de suas colegas de escola, além de usar as mãos das irmãs como modelo. No entanto, seu primeiro cliente de verdade surgiu quando ele tinha 15 anos. Dois anos depois, ao sentir necessidade de se aperfeiçoar, começou a fazer cursos e garantir certificações.

Nilton é um daqueles profissionais que trabalha com calma e foca nos detalhes. Suas unhas levam cerca de 45 minutos para ficarem prontas. Para cada cliente, ele reserva uma hora, que é totalmente voltada aos cuidados daquela pessoa. Além da manicure tradicional, o manicuro também faz unhas decoradas e em gel.  “Cada um trabalha do seu jeito”, diz ele, acrescentando que no começo de sua carreira, existia um certo questionamento por parte dos clientes pelo fato de ser um homem cuidando das unhas da clientela feminina. No entanto, isso sempre foi apenas um detalhe. “Elas imaginam algo bruto e acabam se impressionando”, revela o profissional.


Técnica
Elvis Gouveia estava no terceiro ano do Ensino Médio quando começou a pensar em deixar Fortaleza para fazer um curso de manicure em São Paulo. Em 2008, soube de uma agência que recrutava pessoas para trabalhar como garçom na região Sudeste. Elvis não perdeu tempo e logo estava morando em Paulínia, cidade paulista, onde vive até hoje. Apesar das condições de trabalho como garçom serem diferentes do que foi prometido, ele exerceu a profissão por cerca de cinco anos, para só então pedir demissão e procurar por um curso de manicure. Foi aí que sua vida mudou, de garçom passou a ser conhecido pelos seus admiradores como o Rei das Unhas. “Fui o primeiro aluno homem na escola. As modelos não se sentiam à vontade, eu tinha que procurar voluntárias na rua”, relembra.

Mesmo depois de se especializar, nem tudo foram flores na vida profissional de Elvis. Certa vez, uma cliente reclamou da maneira como seus pés tinham ficado após o seu trabalho. “Ela falou coisas horríveis, eu não conseguia encontrar respostas. Disse que eu deveria desistir e ser cabeleireiro, área em que era mais comum os homens fazerem sucesso. Por um tempo fiquei travado, porque eu projetava aquela cliente em todas as outras”, conta.

A experiência ruim virou motivação. Elvis comprou alicates e também um saco de laranja e foi com a fruta que começou a desenvolver a técnica de corte contínuo. “O treino é para trabalhar a coordenação motora. São quatro posições utilizando apenas o polegar e o indicador e três tipos de corte: na matriz da unha, nas paredes laterais e o corte de acabamento”, explica. O sucesso de sua técnica foi tanto que em março de 2016 lançou o seu próprio curso. “Amo poder mostrar à cliente, por meio de uma cor e de uma técnica, como ela é bonita e importante. Essa é uma oportunidade de trabalhar toda a minha criatividade e ousadia para criar e principalmente empoderar as mulheres”, ressalta o profissional, que hoje se intitula nail coach, termo criado por ele após se formar pelo Instituto Brasileiro de Coach (IBC) e desenvolver métodos de ensino para lideranças nessa área. “Criei uma metodologia de desenvolvimento humano”, resume. Um de seus projetos é um programa de imersão para formação de novos nail coachs.


Barreiras

Roldan Alexandre nasceu na Argentina e chegou ao Brasil quando tinha apenas um ano de idade. Viveu a vida toda no País – a não ser em seus primeiros meses de vida –, e chegou a dar aula de conversação por alguns anos. Porém, viu sua vida mudar quando conheceu a dona de um salão no Rio de Janeiro. Roldan notou que o espaço de beleza estava sempre vazio e que o comportamento dos profissionais do local não era adequado. “As manicures comiam durante o atendimento, levantavam para ir ao banheiro toda hora”, relembra. Ao fazer os apontamentos à proprietária do espaço, ela sugeriu que ele trabalhasse como manicuro. Primeiro, Roldan relutou, mas comovido com a situação da amiga, resolveu ajudar.

A primeira e principal barreira que precisou derrubar foi a do preconceito, só que dele mesmo. “Meus amigos me encontravam quando eu estava a caminho do curso, eu falava que estava fazendo faculdade de Farmácia e ia aplicar injeção. E torcia para minha nécessaire não cair no chão”, brinca.

Hoje, depois de realizar diversos cursos de aperfeiçoamento e morando em São Paulo, Roldan não apenas atende, como forma equipes de manicures para atendimento. “A minha ideia é continuar dando aula, sentir o retorno desse projeto e fazer consultoria em salão. Eu quero expandir”, comenta o profissional, que graças à profissão viu sua renda aumentar, casou-se e hoje aguarda a chegada do primeiro filho. “Eu criei amor pelas unhas não por conta da beleza, mas quando descobri que elas são o termômetro do nosso corpo”, diz ele.